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Agronegócio

Embrapa alerta para doença que ameaça lavouras de mandioca no Paraná

A Embrapa alerta para o avanço da doença couro-de-sapo, que pode comprometer a produção de mandioca no Paraná. A recomendação é reforçar medidas preventivas para evitar prejuízos às lavouras.

16/07/2026 09h27
Raízes de mandioca com sintomas da doença couro-de-sapo

Foto: abam

Embrapa faz alerta sobre doença que ameaça lavouras de mandioca no Paraná

Pesquisadores orientam produtores a reforçar medidas de prevenção contra a “couro-de-sapo”, doença que pode comprometer totalmente a produção em poucos anos.

O avanço da doença conhecida como couro-de-sapo acendeu um sinal de alerta para a cadeia produtiva da mandioca no Paraná. Pesquisadores da Embrapa alertam que, sem medidas de controle, a enfermidade pode comprometer completamente as lavouras, colocando em risco uma das principais atividades agrícolas do Estado, especialmente na região Noroeste, onde se concentra a maior parte das fecularias do país.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Rudiney Ringenberg, a doença tem potencial para causar perdas severas e até inviabilizar o cultivo de variedades amplamente utilizadas pela indústria. “Se não tomarmos providências agora, a paraguainha está fadada a sumir do mercado”, afirmou durante encontro com produtores e representantes do setor.

Doença compromete o desenvolvimento das raízes

A couro-de-sapo é causada por um complexo viral que afeta diretamente o sistema hormonal da planta. Com isso, a mandioca deixa de acumular amido nas raízes, reduzindo drasticamente a produtividade e, nos casos mais graves, interrompendo completamente a formação das raízes comerciais.

Os vírus podem ser transmitidos por equipamentos utilizados no plantio e no corte das ramas contaminadas, facilitando a disseminação da doença entre diferentes áreas da propriedade.

Um dos principais desafios é que os sintomas aparecem inicialmente apenas nas raízes. Enquanto a parte subterrânea perde qualidade, a parte aérea continua vigorosa, o que pode levar o produtor a acreditar que a planta está saudável.

“Dentro de uma lavoura com couro-de-sapo, as plantas mais vigorosas são justamente as mais comprometidas, porque não acumulam amido na raiz”, explicou Ringenberg.

Contaminação pode atingir toda a lavoura em quatro anos

De acordo com a Embrapa, a evolução da doença é gradual. No primeiro ciclo, surgem pequenas ranhuras nas raízes. Com o passar dos anos, essas deformações se tornam mais intensas até que a planta deixa de produzir raízes aproveitáveis.

As estimativas apresentadas pelos pesquisadores indicam que uma única planta contaminada pode disseminar o problema para toda a área cultivada em cerca de quatro anos, caso nenhuma medida seja adotada.

Prevenção é a principal ferramenta de combate

A recomendação é que os produtores façam inspeções frequentes nas lavouras, eliminem plantas suspeitas e utilizem apenas manivas sadias para novos plantios.

Outra orientação é realizar a higienização constante dos equipamentos de corte. Segundo a Embrapa, a desinfecção pode ser feita com uma solução composta por água, sabão neutro e água sanitária, em partes iguais.

Quando houver interesse em testar novas variedades, os pesquisadores orientam que elas sejam cultivadas separadamente das cultivares antigas, mantendo uma faixa sem plantio entre as áreas para reduzir o risco de contaminação.

Setor reforça ações de conscientização

O tema foi debatido durante reunião promovida pela Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (Abam) e pelo Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (Simp), que reuniram produtores e empresários preocupados com o avanço da doença.

Além de orientar os agricultores, o setor pretende capacitar colaboradores das indústrias para identificar os sintomas da couro-de-sapo durante o recebimento da matéria-prima, contribuindo para reduzir a disseminação da doença.

O alerta ganha ainda mais importância para o Paraná, que estima colher cerca de 4,4 milhões de toneladas de mandioca nesta safra e lidera a produção destinada à indústria de fécula. A adoção de medidas preventivas é considerada essencial para preservar a produtividade das lavouras e a competitividade da cadeia produtiva.

Mais informações sobre o setor agropecuário podem ser acompanhadas na editoria Agronegócio. Outras notícias da região estão disponíveis em Jornalismo.

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