SUS ganha 2º laboratório de terapia contra o câncer
Ministério da Saúde e Fiocruz vão instalar no Ceará o segundo laboratório de terapia CAR-T do SUS, tratamento contra leucemias e linfomas que pode custar até US$ 400 mil quando importado.
A terapia CAR-T contra o câncer vai ganhar um segundo laboratório de produção no Brasil, montado pelo Ministério da Saúde e pela Fiocruz no Ceará. O anúncio foi feito nesta terça-feira (29) e amplia uma estrutura que hoje conta apenas com a unidade inaugurada em maio, no Instituto Bio-Manguinhos, no Rio de Janeiro.
A nova unidade cearense é fruto de uma parceria entre a Fiocruz, a Secretaria de Saúde do Ceará, o HU Brasil e a Universidade Federal do Ceará, e vai usar uma estrutura modular pensada para ser replicada em outras regiões do país, com o objetivo de ampliar a oferta da terapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O que é a terapia CAR-T e por que ela é tão cara
A técnica consiste em coletar células de defesa do próprio paciente, modificá-las em laboratório para que reconheçam e ataquem o câncer, e depois reinfundi-las no corpo. É um tratamento avançado e individualizado para leucemias e linfomas, o que torna a produção cara e logisticamente complexa quando depende de laboratórios no exterior: nos Estados Unidos, uma dose comercial pode custar entre US$ 350 mil e US$ 400 mil. A nova unidade vai desenvolver a tecnologia duoCAR-T triespecífica, capaz de identificar ao mesmo tempo três alvos diferentes associados ao câncer, com produção nacional voltada a reduzir o custo e o tempo entre a coleta das células e a reinfusão no paciente.
O que muda para quem depende do SUS fora do Ceará
Por enquanto, a nova unidade deve atender prioritariamente pacientes do Nordeste, mas o modelo modular foi pensado para se espalhar pelo país. Pacientes de outras regiões, incluindo o Paraná, já podem ser encaminhados pelo SUS à unidade pioneira do Rio de Janeiro, em funcionamento desde maio, e a expectativa do Ministério da Saúde é que replicar essa estrutura em mais estados reduza filas e tempo de espera à medida que a rede avançar. É o mesmo caminho de descentralização que o SUS já vem seguindo em outros tratamentos oncológicos, como mostrou a reportagem sobre os novos medicamentos contra o câncer de pulmão liberados pelo SUS.
Quem quer entender melhor os sinais de alerta da doença pode conferir a matéria sobre o Setembro Dourado em Umuarama, dedicado ao câncer infantojuvenil, e outras notícias de saúde estão na editoria de Saúde. Os detalhes do novo laboratório estão no site do Ministério da Saúde.