Soja e milho seguem firmes em setembro sob risco do El Niño
A saca da soja fechou 8 de setembro perto de R$ 160 em Paranaguá e o milho ficou próximo de R$ 69, segundo o Cepea. A alta se sustenta na incerteza sobre o El Niño na safra 2026/27, que começou a ser plantada no Noroeste do Paraná.
O preço da soja e do milho continua firme no Paraná na primeira quinzena de setembro de 2026, agora sustentado pela incerteza sobre os efeitos do El Niño na safra 2026/27, que começou a ser plantada no Noroeste do estado. O cenário mantém o produtor da região diante de uma decisão delicada: vender o que ainda está no armazém ou segurar a mercadoria à espera de preços melhores.
Quanto está a saca da soja e do milho
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, o indicador da soja em Paranaguá encerrou o dia 8 de setembro a R$ 160,46 por saca de 60 quilos, com leve recuo de 0,25% na sessão, mas ainda acumulando ganho no mês. O indicador do milho calculado pela Esalq em parceria com a B3 ficou perto de R$ 69 por saca, também em patamar elevado na maior parte das regiões produtoras. No mercado de carne, a arroba do boi gordo negociada em São Paulo seguiu firme, na casa dos R$ 348, renovando as máximas do ano.
A retração dos vendedores ajuda a explicar a sustentação dos preços. Com poucas ofertas à venda, os compradores precisam pagar mais para fechar negócio. Os produtores, por sua vez, aguardam mais chuva para avançar no plantio e evitam se comprometer com grandes volumes enquanto não têm segurança sobre a próxima colheita.
O que o El Niño tem a ver com o preço
O retorno do El Niño é o principal fator de incerteza citado pelo Cepea. O fenômeno costuma provocar chuvas irregulares no Centro-Sul do Brasil durante o verão, justamente o período de desenvolvimento da lavoura de soja e do milho de primeira safra. Enquanto não há definição sobre a intensidade do fenômeno, parte do mercado prefere trabalhar com uma margem de segurança, o que dá suporte às cotações.
Pesa também o mercado externo. A demanda asiática se voltou para a soja dos Estados Unidos, que entra em colheita, o que reduz a procura pelo produto brasileiro neste momento e limita altas mais fortes por aqui. Mesmo assim, o Brasil exportou 89,86 milhões de toneladas de soja entre janeiro e agosto, recorde para o período.
O dilema de vender agora ou esperar
No Noroeste do Paraná, o plantio da soja 2026/27 começou depois do fim do vazio sanitário, em 1º de setembro, e avança de forma pontual, no aguardo de chuvas mais regulares. Para quem ainda tem soja ou milho guardados da safra passada, o preço elevado é um convite à venda, mas o armazém cheio e a possibilidade de novas altas fazem muitos produtores segurarem a decisão.
A recomendação de consultorias do setor é acompanhar de perto os boletins de preço e o noticiário do clima antes de fechar contrato, já que a janela de valorização pode se estreitar quando a colheita norte-americana ganhar volume. O movimento de alta já vinha sendo registrado no início do mês, e o excesso de chuva também pode atrasar o plantio no Noroeste. Mais informações do setor estão na editoria de Agronegócio e nas notícias de Umuarama.
As cotações diárias podem ser acompanhadas no site do Cepea.