Relembre a chacina de Icaraíma até a prisão dos suspeitos
Relembre como aconteceu a chacina de Icaraíma: da emboscada contra quatro cobradores em agosto de 2025 até a prisão dos principais suspeitos em São Paulo, um ano depois.
A chacina de Icaraíma completa mais de um ano nesta terça-feira (18), data em que a Polícia Civil do Paraná prendeu os dois principais suspeitos de matar quatro homens na zona rural do município, no Noroeste do Paraná. Entre a emboscada e as prisões, a investigação passou por buscas por corpos enterrados, perícias que descartaram uma hipótese de tortura e a inclusão dos suspeitos na lista de procurados da Interpol.
Como começou o caso: a emboscada de agosto de 2025
Segundo a reconstituição do caso, na segunda-feira (04/08/2025) três cobradores contratados para receber uma dívida de R$ 250 mil chegaram a Icaraíma. A quantia era referente à venda de um imóvel rural para a família Buscariollo, parcelada em dez notas promissórias de R$ 25 mil que não haviam sido pagas.
Na manhã seguinte, terça-feira (05/08/2025), os três cobradores — Rafael Juliano Marascalchi, 43 anos, Diego Henrique Affonso, 39, e Robishley Hirnani de Oliveira, 53 — se encontraram com o morador de Icaraíma Alencar Gonçalves de Souza em uma padaria da cidade antes de seguir para o local combinado com os Buscariollo. Por volta do meio-dia, os quatro foram mortos a tiros na propriedade da família.
Buscariollo viraram foragidos dias após o crime
No dia seguinte, quarta-feira (06/08/2025), familiares das vítimas registraram o desaparecimento dos quatro homens. Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo chegaram a prestar depoimento negando envolvimento no caso, mas desapareceram no mesmo dia. Na semana seguinte, no sábado (09/08/2025), a Justiça expediu mandados de prisão contra os dois, que passaram a ser tratados como foragidos.
Mais de um mês depois, em 12 de setembro de 2025, a caminhonete usada pelas vítimas foi localizada enterrada em uma espécie de bunker em área rural de mata fechada. Seis dias depois, em 18 de setembro, os quatro corpos foram encontrados em uma cova rasa a cerca de 600 metros de onde o veículo estava oculto. Para a Polícia Civil, os indícios apontam para uma ação planejada, com emboscada seguida da ocultação dos corpos e do veículo.

Perícia descartou tortura contra as vítimas

Em 17 de junho deste ano, a Polícia Civil divulgou que os laudos periciais afastaram a hipótese de tortura contra as quatro vítimas. Segundo o delegado Thiago Andrade Inácio, “não há elementos que indiquem a prática de tortura” nas mortes. Os peritos constataram que os disparos atingiram pontos vitais, causando morte instantânea, sem lesões compatíveis com cativeiro ou agressões anteriores.
Uma corda encontrada junto a um dos corpos havia gerado especulação sobre a forma como as vítimas foram mortas. A corporação esclareceu que a hipótese mais provável é de que o objeto tenha sido usado para arrastar o corpo até o local onde foi ocultado, e não para imobilizar a vítima ainda com vida.
Interpol e a prisão em São Paulo

Em 6 de julho, os suspeitos entraram na lista de procurados da Interpol, o que ampliava a possibilidade de captura mesmo fora do Brasil. A prisão aconteceu nesta terça-feira (18), quando equipes da Polícia Civil do Paraná localizaram Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP). Mais informações sobre os desdobramentos da operação, incluindo o suspeito apontado como mandante do crime, estão na reportagem sobre o mandante da chacina de Icaraíma.

O caso segue sendo apurado pela Polícia Civil do Paraná como homicídio qualificado. Outras atualizações sobre o caso e demais ocorrências policiais da região podem ser acompanhadas na editoria de Jornalismo do Portal Amizade FM, e o anúncio oficial das prisões pode ser conferido na matéria publicada logo após a operação. Informações institucionais sobre a Polícia Civil do Paraná estão disponíveis no canal oficial de notícias da corporação.