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Agronegócio

Recorde de exportação de soja não reduz dívida no campo

A Anec projeta recorde de 7,74 milhões de toneladas de soja exportadas em setembro, mas um levantamento da entidade mostra que o custo de produção segue acima da receita do produtor, cenário que também preocupa quem planta no Paraná.

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Recorde de exportação de soja não reduz dívida no campo

A exportação de soja do Brasil deve fechar setembro com embarques recordes de 7,74 milhões de toneladas, segundo projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) divulgada nesta semana. O número representa alta de cerca de 760 mil toneladas sobre o mesmo mês do ano passado e reforça a expectativa de uma safra 2026 recorde no país, mas o resultado positivo convive com um problema que já preocupa produtores no Paraná: o custo de produção segue subindo mais rápido do que a receita obtida com a venda da soja.

Demanda da China sustenta embarques recordes

O farelo de soja, subproduto usado principalmente na alimentação animal, também deve bater recorde em setembro, com projeção de 2,6 milhões de toneladas embarcadas, alta de 673 mil toneladas na comparação anual e o maior volume mensal do ano. Os dados fazem parte do movimento que deve levar o Brasil a exportar 114 milhões de toneladas de soja em 2026, um avanço de quase 5% sobre o recorde anterior, puxado pela demanda internacional aquecida, com destaque para a China como principal compradora.

Custo de produção segue acima da receita do produtor

Apesar do volume recorde de embarques, um levantamento da Anec feito em Mato Grosso mostrou que o custo médio de produção da soja chegou a US$ 423,31 por tonelada, acima da receita de US$ 417,01 por tonelada obtida com a exportação, um prejuízo de US$ 6,30 por tonelada só na conta de quem planta. A distorção entre o preço internacional em alta e o custo de insumos, frete e juros no campo é apontada como uma das causas do endividamento crescente entre produtores rurais em várias regiões do país, incluindo o Paraná, que também colhe uma das maiores safras de soja de sua história em 2026.

“O endividamento no campo cresce de forma significativa e sinaliza o enfraquecimento da saúde financeira dos produtores”, alertou o analista da Anec Jean Carlo Budziak sobre o cenário do setor.

Para o produtor do Noroeste do Paraná, que colhe soja num dos estados que mais exportam o grão, o cenário nacional serve de alerta: mesmo com recorde de vendas ao exterior, o resultado no bolso depende do controle de custos na lavoura, já que o preço pago pela tonelada exportada nem sempre cobre o valor gasto para produzi-la. A tendência deve ser acompanhada de perto nos próximos meses, à medida que a colheita da safra recorde avança e novos contratos de exportação são fechados.

Mais notícias de agronegócio na região de Umuarama podem ser acompanhadas no portal da Amizade FM, incluindo o balanço do plantio da soja 2026/27 no Noroeste do Paraná. Os dados de exportação são publicados periodicamente pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec).

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