Canetas emagrecedoras no SUS: Ministério pede análise
O Ministério da Saúde pediu à Conitec a análise de canetas à base de semaglutida ou liraglutida para tratar obesidade no SUS. A oferta ainda depende de parecer e consulta pública.
As canetas emagrecedoras no SUS deram um passo concreto nesta quinta-feira (24): o Ministério da Saúde enviou um ofício à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) pedindo a análise de medicamentos à base de semaglutida ou liraglutida para o tratamento da obesidade na rede pública.
O pedido formaliza o anúncio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira anterior (17), quando ele afirmou que as canetas passariam a ser oferecidas gratuitamente pelo SUS. Mesmo assim, a oferta ainda não começou, e o caminho até a farmácia pública tem etapas obrigatórias pela frente.
Por que o Ministério pediu as canetas emagrecedoras no SUS agora
Segundo o Ministério da Saúde, a escolha pela semaglutida e pela liraglutida tem uma razão prática: os dois princípios ativos já não têm proteção de patente no Brasil, o que abriu espaço para versões nacionais e genéricos. O país tem hoje 25 canetas registradas, 14 delas apenas em 2026, e a concorrência derrubou os preços em cerca de 70% em menos de um ano, de acordo com a pasta.
Esses remédios imitam a ação do hormônio GLP-1, que participa do controle do açúcar no sangue e da sensação de saciedade, e são indicados para obesidade e diabetes tipo 2. O Ministério também cita a primeira diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso dessas terapias contra a obesidade, publicada no fim de 2025, como base técnica do pedido.
O pano de fundo é o avanço da doença. Conforme os dados citados pelo Ministério, a proporção de brasileiros com obesidade passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, com reflexo direto em mortes, qualidade de vida e custos para o sistema de saúde.
Quem deve ter prioridade
A ideia não é distribuir o medicamento para qualquer pessoa que queira emagrecer. O ministro Alexandre Padilha afirmou que a prioridade serão pessoas com obesidade grave, com doenças associadas ou com indicação para cirurgia bariátrica. Os critérios clínicos exatos ainda serão definidos.
Parte dessa resposta deve vir de Porto Alegre, onde cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou doenças associadas participam de um protocolo de uso no Grupo Hospitalar Conceição. Os resultados vão ajudar a definir em que condições o tratamento pode ser ampliado para a rede pública.
Próximos passos até a oferta pelo SUS
A avaliação da Conitec é apenas a primeira etapa. Depois que a comissão publicar o parecer, será aberta uma consulta pública, e só então o Ministério da Saúde poderá decidir pela inclusão das canetas no SUS. Ainda não há data para nenhuma dessas fases.
O que muda para quem mora em Umuarama
Por enquanto, nada muda na prática: as UBSs de Umuarama e a farmácia municipal não distribuem canetas emagrecedoras, porque o medicamento ainda não foi incorporado. Quem convive com obesidade pode, desde já, procurar a unidade de saúde do bairro para acompanhamento, que já é oferecido pela rede pública e é o ponto de partida para qualquer tratamento futuro.
Enquanto a oferta gratuita não chega, a atenção deve ser redobrada com produtos vendidos fora das farmácias. A região já teve caso de canetas emagrecedoras falsas apreendidas em Tapejara, e o uso sem prescrição e sem acompanhamento médico é um risco. Outros medicamentos já podem ser retirados de graça, como mostra a reportagem sobre a economia com o Farmácia Popular. Mais notícias estão na editoria de Saúde do Portal Amizade FM, e o comunicado completo pode ser lido no site do Ministério da Saúde.